Várias espécies da região Amazônica, como por exemplo a seringueira e a pupunha, têm apresentado boa adaptação às condições dos Cerrados, especialmente pelo fato de não estarem sujeitas ao ataque de pragas e doenças comuns na região de origem. O mogno (Swietenia macrophylla King.) tem apresentado comportamento similar. A principal limitação ao seu cultivo na Amazônia deve-se ao ataque da "broca dos ponteiros", causada pela Hypsipyla grandella Zeller. Plantações com esta espécie na região somente têm sido viáveis quando feitas em sistemas agroflorestais ou em plantios de enriquecimento de capoeiras. Embora essa praga ocorra também no Cerrado, sua densidade populacional é menor e não tem, até o momento, causado danos nos plantios. A exploração do mogno na Amazônia é dificultada pelo baixo número de árvores por hectare (normalmente uma ou duas), dificuldades de acesso e transportes a longas distâncias. Os danos ambientais provocados na floresta levaram o governo a adotar medidas de contingenciamento da exploração dessa espécie, limitando o volume de madeira a ser retirado anualmente da região. A certificação dos produtos florestais com o "selo verde", isto é, sem causar prejuízos ao meio ambiente, tem-se tornado uma exigência dos países importados e fator limitante à exploração das madeiras nativas. A nova "Lei de Crimes Ambientais", recentemente promulgada, institui normas rígidas para o uso das reservas naturais. Tais fatores, aliados ao alto valor comercial do mogno e à tendência crescente do consumo da madeira, permitem concluir que o investimento em plantações comerciais dessa espécie tende a ser altamente lucrativo; principalmente ao se considerar que a produção de madeira dos países asiáticos, principais exportadores, tende a diminuir devido à crescente redução de suas reservas florestais. A região dos Cerrados, em função das condições climáticas, edáficas, topográficas e de infra-estrutura, apresenta excelentes condições para o plantio do mogno; desde que sejam evitadas áreas de terrenos arenosos, baixo índice de precipitação ou altos riscos de ataques da "broca dos ponteiros". o sucesso do empreendimento depende da obtenção de material genético selecionado, produção de mudas de boa qualidade e plantio efetuado de forma a garantir bom desenvolvimento da espécie. Plantio no campo O plantio no início da estação chuvosa; e fundamental para garantir o bom crescimento das mudas até o próximo período de estiagem. Os tardios não permitem que as raízes atinjam as camadas mais úmidas do solo e a sobrevivência das mudas no período seco tendem a ser reduzida. Plantios na época adequada apresentam taxas de sobrevivência próximas a 100%, desde que as covas sejam de tamanho e níveis de fertilização adequados. Preparo das covas As covas devem ter pelo menos 40 cm de profundidade. As covas abertas manualmente são de 40x40x40 cm e são recomendadas apenas para pequenas quantidades de mudas. A utilização de plantios em sulcos com 40 cm de profundidade ou em covas feitas com perfuratriz são recomendadas para plantações maiores. Caso o solo não esteja suficientemente úmido na época do plantio, recomenda-se irrigar a cova até seu transbordamento. Adubação O mogno adapta-se bem às condições dos Cerrados e não tem apresentado sintomas de deficiência nutricional. As análises física e química do solo são importantes para definir a adubação mais apropriada. Para solos virgens sob a vegetação típica de cerrado, tem sido usada com êxito a seguinte adubação por cova:
A adubação nitrogenada pode ser parcelada em três aplicações e efetuada nos meses de novembro, janeiro e março. A dosagem corresponde a 50 g de uréia aplicada à cerca de 15 cm da muda. Manutenção Durante o primeiro e o segundo ano, é importante fazer o coroamento das plantas para evitar a competição com as ervas daninhas. Plantas com crescimento normal atingem cerca de 2 metros no primeiro ano e apresentam folhas com cerca de 70 cm a 1 metro de comprimento e 7 pares de folíolos. Caso necessário, pode-se efetuar adubações suplementares de nitrogênio e potássio. Ocasionalmente as mudas de mogno são atacadas pelas formigas catadeiras. Em alguns casos, tem sido observado o ataque de insetos que roletam o tronco, possivelmente devido à ação de coleópteros conhecidos como "serra-pau". Uma grande preocupação que o produtor deve ter é a de evitar a entrada de gado no plantio até que as plantas atinjam pelo menos 3 metros de altura, uma vez que as folhas são comidas pelos animais. A ação do fogo é também altamente prejudicial à espécie. Local de plantio Até 8 ou 10 anos após o plantio, o mogno apresenta crescimento rápido em altura, ausência de galhos e pequena área foliar. Tais atributos, além dos fatos de apresentar sistema radicular profundo e resistência à ação dos ventos, contribuem para sua utilização em sistemas agrossilvopastoris. O espaçamento mínimo recomendado entre plantas é de 8 x 8 metros e os espaços entre as árvores pode ser aproveitado para consórcios com outras espécies. A árvore pode ser introduzida em áreas de culturas anuais sem prejuízo das atividades de mecanização. Recomenda-se sua utilização como quebra-ventos em culturas anuais, café, frutíferas e outras. O crescimento da espécie pode ser altamente beneficiado se plantada ao redor de áreas irrigadas. A espécie pode ser usada como barreira quebramentos em construções rurais e ornamentação em pátios ou ao longo de cursos d'água e estradas da propriedade. Exigências climáticas e edáficas O mogno suporta bem as condições normais de estiagem dos Cerrados (cerca de quatro a seis meses), período no qual a planta paralisa seu crescimento. Havendo irrigação suplementar, a espécie emite novas brotações mesmo nos meses mais frios do ano. A espécie cresce melhor em solos bem estruturados, porém, suporta bem as condições onde os teores de argila atingem até 65% e breves períodos de alagamento. Sob condições de sombreamento, o crescimento da espécie apresenta reduções em até 50 % da altura em relação aos plantios a pleno sol. Hábitos de crescimento A partir dos oito anos de idade as tendências de crescimento apresentam rápidos incrementos em diâmetro e abertura da copa, período que corresponde ao início da frutificação. Plantios realizados em Brasília demonstram que os melhores indivíduos apresentam diâmetro ao nível do peito de cerca de 50 cm aos 15 anos. Estima-se portanto que entre 15 e 20 anos as árvores apresentam as dimensões para a obtenção de madeira serrada. Deve-se salientar que estas idades são aproximadamente as mesmas obtidas para as espécies de rápido crescimento como Eucalyptus ou Pinus, manejadas para a mesma finalidade. Embora o crescimento em diâmetro tenda a diminuir a partir desta idade, o crescimento do volume comercial aumenta substancialmente até os 30 anos, período em que as plantas atingem entre 70 e 80 cm de diâmetro. Cuidados especiais A Hypsipyla grandella constitui a principal praga das meliáceas e pode inviabilizar o plantio da espécie. Sua ocorrência estende-se desde a América do Sul até o México. A praga encontra-se mais disseminada nas regiões onde se verificam anualmente altas temperaturas e umidades relativas. Os ataques ocorrem preferencialmente em plantas jovens e na época chuvosa. Recomenda-se evitar o plantio em áreas limítrofes com a região Amazônica e nas regiões de ocorrência natural do cedro. Outra estratégia importante é evitar a formação de grandes áreas com o plantio do mogno. Em Brasília, plantios contendo até 1000 árvores em uma única propriedade não têm apresentado indícios de ataque. O clima seco dos meses de inverno contribui para a redução dos níveis populacionais da Hypsipyla. Dada a falta de informações sobre a viabilidade de plantio de mogno nas diferentes condições climáticas e edáficas da região, assim como a falta de informações sobre a ocorrência de pragas e doenças, seria recomendável a formação de áreas menores (cerca de 100 árvores por propriedade) e avaliação do comportamento da espécie pelo menos por dois anos consecutivos.
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