As espécies do gênero Archontophoenix são endêmicas do leste da Austrália, onde são encontradas em abundantes colônias. Ocorrem em florestas tropicais.

A palmeira real australiana era utilizada em nosso país, até recentemente, apenas como planta ornamental. O interesse por essa palmeira como produtora de palmito só comeóu a partir de 1990, quando a exploração predatória da palmeira Juçara na região Sudeste do Brasil e do Açaí no norte, tinha alcançado o máximo e nossas reservas de palmito nativo já estavam bastante dilapidadas.

Atualmente, a palmeira real australianatem sido considerada como potencial para exploração racional de palmito, devido principalmente às suas características de precocidade, rusticidade e qualidade do palmito.

Este, embora com características diferentes das espécies tradicionalmente usadas para a exploração do palmito (Juçara e Açaí), apresenta excelente paladar, textura e coloração, sendo considerado um produto nobre.

Clima

Embora o cultivo da palmeira real australiana possa ser implantado nas mais diferentes condições climáticas, maior desenvolvimento vegetativo (o que reflete em precocidade de produção) e maior peso em palmito por planta e por área sendo obtidos em regiões de clima quente e úmido, possuindo temperatura media anual de 22°C e precipitação acima de 1.600mm por ano, bem distribuída. Pode se desenvolver bem em regiões com temperaturas mais baixas e precipitação inferior à anteriormente mencionada, desde que bem distribuíds. É relativamente tolerante à geada, mesmo no estádio de muda (20 a 50 cm de altura)

Solo

A palmeira real australiana não é exigente em solos, desenvolvendo-se mesmo em solos pobres e ácidos com pH entre 3,6 e 4,5 desde que sejam de textura média a leve e com boa drenagem. No entanto, é obvio que prefere solos mais férteis e a produção de palmito em áreas de fertilidade baixa deve-se basear na reposição de nutrientes através de adubações anuais parceladas.

Quanto à declividade, deve-se dar preferências a áreas planas ou levemente onduladas, pois facilitam sobremaneira o plantio, o manejo, a colheita e mesmo o transporte do palmito. No entanto, nessas áreas deve-se ter cuidado com a drenagem.

Pragas, doenças e predadores em viveiros

A palmeira real australiana é bastante resistente às principais doenças que ocorrem nas demais palmeiras em condições de viveiro (antracnose, helmintosporiose, cercosporiose,etc.). Na presença de qualquer sintoma de doença, recomenda-se diminuir a irrigação, aumentar o arejamento entre plantas e, se necessário, usar fungicida específico.

As pragas mais comuns em viveiro são os gafanhotos. Aplicação de inseticidas apropriados controla facilmente estes insetos.

Animais silvestres tais como capivaras, pacas e veados podem comer as plantas enviveiradas. Nesse caso, deve se cercar a área do viveiro. Roedores podem se alimentar das sementes.

Preparo da área

O preparo da área deve ser feito com critério, especialmente quando em solos de estrutura pesada ou compactadas por usos anteriores. Aração e gradagem são recomendadas. No entanto, quando isso não for possível, recomenda-se, por ocasião do plantio, a abertura de covas nas dimensões de 30 x 30 x 30 cm, ou mesmo de 40 x 40 x 40 cm. Porém, em solos muito compactados esse procedimento apenas não resolve. Deve-se plantar em outro lugar ou fazer subsolagem.

Devido à alta densidade de plantas por hectare, recomenda-se o plantio em sulco, deixando-se o plantio em covas para áreas que não permitem o uso de máquinas agrícolas.

A palmeira real australiana deve ser cultivada em áreas a pleno sol. Esta palmeira não requer sombreamento, nem mesmo inicial. O plantio é feito por mudas. Em regiões com déficit hídrico ou quando do plantio de mudas não aclimatadas pode-se usar um sombreamento temporário proporcionado por guandu, tefrósia ou crotalária, em linhas separadas por 2 m.

Foi observado o bem desenvolvimento de palmeiras dessa espécie nas bordas de florestas nativas. Não se recomenda esse sistema de cultivo, pois a espécie é bastante agressiva, podendo prejudicar o desenvolvimeno das plantas da mata.

Em áreas ocupadas anteriormente por pastagens, recomenda-se que se faça um bom preparo de solo e aplicação de herbicidas. Agricultores têm usado, nessa fase, Roundup (3,5 L/ha) ou Fusilade (1,5 L/ha), esperando de 35 a40 dias para o plantio das palmeiras.

Espaçamento

O espaçamento utilizado para palmito, usando mudas, é 2,0 x 0,5 m, 2,0 x 1 m, 1,5 x 1 m ou 2,0 x 1,0 x 1,0 m (linhas duplas), podendo-se utilizar o de 2,0 x 0,30 m quando da prática de semeadura direta. Recomenda-se o espaçamento de 3 x 2m para campos de produção de sementes.

alguns agricultores semeiam de 3 a 4 sementes por saco plástico, de forma a produzir mais palmito por área. Tal prática é recomendada, visto que as palmeiras apresentam desenvolvimento diferente e estão aptas para o corte em épocas distintas. Nesse caso, aconselha-se o espaçamento mínimo de 2,0 x 1,0 m.

Plantio definitivo de mudas enviveiradas

Realizar quando as plantas estiverem com cerca de 20 a 30 cm de altura e possuírem de 4 a 6 folhas vivas, o que ocorre entre o 6° e o 8° mês após a semeadura.

O melhor período é a época das águas. Cortar o saco plástico de 2 cm de base. Isoo possibilita uma poda das raízes, as quais podem estar enoveladas e ajuda a planta no seu estabelecimento. Em seguida, o saco é cortado de alto a baixo e é retirado, ficando somente o torrão de solo preso à muda. Colocá-la no centro da cova com o torrão intacto e preencher os espaços vazios com terra de superfície, comprimindo o suficiente para manter a muda firme no lugar.

Adubação de plantio

Antes do plantio, aplicar calcário dolomítico para elevar a saturação por bases a 50%. Aplicar, se disponível, 5 a 20 t/ha de esterco de curral ou compostos de lixo curtidos, distribuindo o adubo orgânico no sulco de plantio ou cova, misturando com o adubo mineral fosfatado e potássico. De acordo com a análise do solo, aplicar no sulco, 50 a 120 Kg/ha de P2O5 e até 60 Kg/ha de K2O.

Aplicar esta cobertura, 30 dias após o transplante, ao redor da muda, 20 Kg/ha de N, repetindo esta dose mais duas vezes, a cada 2 meses (dispensar ssa adubação nitrogenada inicial, caso tenha sido usado esterco ou composto na cova ou sulco).

Adubação de produção

deverá ser iniciada seis meses após o transplante das mudas. De acordo com a produtividade esperada e com a análise do solo, aplicar por ano, 80 a 200 Kg/ha de N, 0 a 30 Kg/ha de P2O5, 20 a 100 Kg/ha de K2O, 10 a 30 Kg/ha de S e 1 a 2 Kg/ha de B.

Devido ao sistema radicular profuso e superficial, recomenda-se adubar nas entrelinhas.

Tratos culturais

No cultivo da palmeira real australiana não se recomenda a capina, pois o sistema radicular dessas palmeiras é bastante superficial e pode ser facilmente lesado por esse operação. Os tratos culturais resumem-se apenas a roçadas periódicas ou aplicação de herbicidas para eliminação do mato mais agressivo. Uso de cobertura vegetal, tal como centrosema, caupi e amendoim silvestre é normalmente indicado nos campos de produção de sementes, podendo ser usadas também no plantio para o palmito.

Irrigação

Em regiões com baixa precipitação (abaixo de 1.800mm/ano), ou chuvas mal distribuídas, torna-se necessário o uso de irrigação para máxima produtividade. Ainda não há dados de pesquisa a esse respeito. Não obstante, verifica-se a necessidade de uma lâmina d'água efetiva em torno de 4 a 8mm/dia. O custo de irrigação, usando o tipo canhão, tem variado entre 1.300 a 1.600 dólares por hectare. Microaspersão ou gotejamento envolvem um gasto de 2.220 a 2.600 dólares por hectare.

A prática indica que a irrigação da cultura uma semana antes da colheita aumenta a produção. Isso tem lógica, visto que 90% do palmito é constituído por água.

Pragas e doenças no cultivo

Quanto a praga e moléstias, não existem até o momento as limitantes a esse cultivo. No campo pode ocorrer um ataque de um coléoptero grande do gênero Rhyncophorus e outros menores do gênero Strategus. Faz-se o controle desses insetos através de iscas feitas com tronco seccionado de bananeira, sobre o qual se espalha uma mistura de melaço de cana (atrativo) e um inseticida específico. Há relatos do ataque de cupins a plantas jovens em regiões bastante infectadas com esses insetos.

Colheita e rendimento

A colheita do palmito é feita entre 18 a 36 meses do plantio, dependendo do solo, clima, espaçamento e adubação. Aos 18 meses o palmito terá entre 150 a 300 gramas de peso. Aos três anos podem-se colher plantas com 800 gramas de palmito. Não é aconselhável colher-se a idades superiores a essa, pois o maior diâmetro do palmito trará problemas na industrialização (dificuldade de acomodá-lo dentro da lata ou vidro).

A colheita do palmito da plameira real australiana será sempre escalonada, pelo próprio desenvolvimento irregular das plantas. Os critérios de colheita variam, baseando-se na maior parte das vezes apenas em observações pessoais. No entanto, recomenda-se escalonar a colheita de palmito com base no diâmetro da planta (a 50 cm de altura): entre 12 a 14 cm é o indicado. Em condições normais plantas alcançam esse diâmetro quando a haste está com 1,6 a 2,0 m de altura.

O corte do palmito pode ser feito durante o ano todo, porém deve-se evitar o corte na época seca, ele terá, conseqüentemente, menor peso. Constata-se também que em regiões com pouca umidade a bainha interna é curta, portanto menor será o rendimento em palmito, quer seja em peso ou em volume. Isso porque o comprimento da bainha mais interna é que determina o número de toletes a serem obtidos. Normalmente são esperados de 4 a 5 toletes de 9 cm de comprimento por palmito.

O palmito sai do campo quase limpo, medindo de 70 a 90 cm de comprimento e com apenas 2 a 4 bainhas extras a serem posteriormente descartadas. A perda de água do palmito após a colheita é grande, chegando até a 10% por dia.

Características do palmito

O palmito da palmeira real australiana apresenta rápido escurecimento após a colheita. Por este motivo, deve ser processado rapidamente. O palmito após colhido é um produto altamente perecível, durando no máximo de 5 a 7 dias quando mantido com 4 capas (bainhas externas). Ocorre escurecimento enzimático das pontas e apodrecimento devido à ação de fungos comuns em vegetais em decomposição. O tombo e o corte acidental de partes do palmito aceleram a decomposição. Como o palmito é constituído basicamente de água, aconselha-se sua colheita em época chuvosa e seu processamento no máximo 36 horas após colheita.

O palmito da palmeira real australiana é de coloração branca, com textura extremamente macia e sabor mais nobre que a palmeira Juçara (Euterpe edulis). Tem sabor brando, delicado, nem doce e nem amargo.

Cronograma para replante de mudas de Palmeira Real (Adensamento)

Palntio do Priemeiro talhão, esp. 2 x 1 com 4 plantas na cova.

*2 anos - 1° replante
2½ anos - 1° corte do 1° palmito
3 anos - 2° corte do 1° palmito
3½ anos - 3° corte do 1° palmito
*4 anos - 4° corte do 1° palmito (final do primeiro ciclo) - 2° replante
4½ anos - 1° corte do 1° replante
5 anos 2° corte do 1° replante
5½ anos - 3° corte do 1° replante
*6 anos - 4° corte do 1° replante (final do segundo ciclo) - 3° replante
6½ anos - 1° corte do 2° replante
7 anos 2° corte do 2° replante
7½ anos - 3° corte do 2° replante
*8 anos - 4° corte do 2° replante (final do terceiro ciclo) - 4° replante
8½ anos - 1° corte do 3° replante
9 anos - 2° corte do 3° replante
9½ anos - 3° corte do 3° replante
*10 anos - 4° corte do 4° replante (final do quarto ciclo) - 5° replante

*Replantios feitos a cada 2 anos.

Obs. No momento do plantio do primeiro talhão, dependendo do tipo do solo, a época do ano, pode-se consorciar a palmeira real com arroz, milho, feijão ou banana da terra.

1ha = 20.000 plantas, 4 em cada cova.
1 planta em cada cova = 5.000 plantas colhidas a cada 6 meses.
= 833 plantas por ha mês.

Análise Bromatologico da Palmeira Real

Foi comprovado que a folha da palmeira real contém 10,56% de proteína, ótimo alimento para o gado. Além de você usar a planta para a produção de Palmito, você utiliza a folha para ração de gado.

 

Home  |  Voltar  |  Topo