O combustível do futuro

UFMG e governo de Minas firmam parceria para implantar unidades produtoras de biodiesel
Fiorenza Carnielli

A conta é simples e dramática. Simples porque, para cada 1% de acréscimo no Produto Interno Bruto (PIB), é necessário um incremento de 1,7% no consumo de energia. Dramática porque, daqui a 40 anos, as reservas de petróleo, principal fonte de energia, estarão esgotadas. Sem petróleo, como o mundo irá se mover? Uma resposta pode estar no biodiesel, combustível obtido a partir de matéria orgânica rica em óleo, como mamona, pinhão-manso, girassol, soja, dendê, e até mesmo do esgoto residencial.

A produção em larga escala do biodiesel em Minas Gerais é o objetivo da parceria entre a UFMG e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Esportes (Sudese). E esse horizonte não está distante. O programa brasileiro de biocombustíveis, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, prevê que, até 2005, o diesel fóssil vendido nos postos de combustíveis conterá 5% de biodiesel. O que equivale a uma economia de 1,3 bilhão de litros de diesel importado.

Só em Minas, esse percentual misturado ao diesel significaria uma economia anual de US$100 milhões. O biodiesel será utilizado na frota de transportes coletivos e de cargas, podendo também ser aplicado em motores estacionários para geração de eletricidade, irrigação de lavouras, tratores e colheitadeiras.

O professor Inácio Loiola Campos, do departamento de Engenharia Nuclear da Escola de Engenharia, e que trabalha junto à Sedese no desenvolvimento do programa mineiro de biodiesel, afirma que é viável a substituição total do diesel fóssil pelo combustível vegetal. "O biodiesel é uma alternativa capaz de fazer frente à demanda energética renovável", afirma o pesquisador.

O biodiesel já é utilizado nos Estados Unidos e na Europa. Só que nesses lugares o custo de produção é elevado, e as áreas agrícolas, escassas. Problemas que, segundo Inácio Campos, o Brasil não enfrenta. "Nos Estados Unidos e na Europa, a produtividade de óleo por hectare não ultrapassa uma tonelada. No Brasil, ela é, no mínimo, duas vezes maior ", compara.

Outra vantagem competitiva do Brasil reside na proposta de uso do etanol (álcool obtido a partir da cana-de-açúcar, por exemplo) e não do metanol (subproduto do petróleo), utilizado como reagente para o biodiesel em outros países. "Cem por cento do biodiesel brasileiro virão da biomassa, o que assegura uma qualidade ecológica superior", afirma Campos.

Modelo mineiro

Em Minas Gerais, as plantas oleaginosas viáveis para a obtenção do biodiesel são a mamona e o pinhão-manso. Este é uma espécie nativa que hoje não apresenta qualquer aplicação econômica. A mamona apresenta índice de 46% de óleo e produtividade média de 1,2 tonelada de sementes por hectare, podendo chegar a quatro toneladas com a aplicação de técnicas agrícolas. O pinhão-manso leva de três a quatro anos para atingir a idade produtiva, que se estende por 40 anos, e produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare. "Num primeiro momento, a idéia é associar as duas culturas. Enquanto as árvores de pinhão-manso crescem, usaremos a mamona", diz o pesquisador Inácio Loiola Campos.

O modelo proposto pela Sedese prevê a instalação de cooperativas de produção de biodiesel. O órgão aguarda a liberação do Ministério da Ciência e Tecnologia de R$ 3 milhões para custear o desenvolvimentro do programa. As unidades terão capacidade para produzir até um milhão de litros de combustível por ano e atenderão a demandas locais pelo produto. Os municípios de Ouro Branco e Florestal deverão abrigar as duas primeiras cooperativas de produção. A UFMG está encarregada de oferecer suporte técnico e científico ao programa.

As vantagens

A adoção do combustível traz muitas vantagens. Em relação ao diesel fóssil, a queima de biodiesel reduz em 55% a emissão de fuligem e em 35% a liberação de hidrocarboneto, substância cancerígena. Além disso, o gás carbônico gerado na queima é consumido no processo de fotossíntese realizado nas lavouras de plantas oleaginosas e devolvido à atmosfera como oxigênio. Dessa forma, há um ciclo fechado de produção sem sobras poluentes ( veja infográfico ).

O processo químico de obtenção do biodiesel, a transesterificação, baseia-se na reação do óleo vegetal com o álcool, facilitada por um catalisador. Dois subprodutos resultam desse processo: uma torta orgânica, que pode ser utilizada como adubo, e a glicerina, aplicada na fabricação de cosméticos.

Considerações sobre o JATROPHA CURCAS

Fonte EPAMIG

- Não é pastejada por animais

- Serve para extração de óleo para iluminação e fabricação de sabão.

- Todas as partes da planta são empregados para fins medicinais.

- Num motor diesel, para gerar a mesma potência o consumo de óleo de pinhão manso foi de 20% maior, o roído mais suave e a emissão de fumaça,semelhante.

- O óleo de pinhão manso também pode ser utilizado na producão de tintas, vernizes e etc.

- Segundo analises do CETEC-MG, o óleo de pinhão manso têm 83,9% do poder calorífico do óleo diesel. Assim, em caso de substituição do diesel pelo óleo de pinhão manso,o consumo será 16,1 % maior.

- A torta resultante da extração do óleo das sementes de pinhão manso constitui excelente adubo orgânico, rico em nitrogênio, fósforo e potássio, semelhante aos contidos no esterco de galinha, tendo também efeito nematecida.

- A torta de pinhão manso é altamente tóxico, devido a seu alto teor em curicina, estudos vem sendo feitos buscando sua desintoxicação visando o seu aproveitamento na alimentação animal.

- Tanto a casca dos frutos como a das sementes podem ser usadas como adubo orgânico, ou como combustível para caldeiras ou ser usado na fabricação de carvão.

- O pinhão manso é um arbusto que pode atingir de 3 a 5 metros de altura.

- O teor médio de óleo das sementes é de 38%.

- Normalmente, recomenda-s os espaçamentos de 3 x 3 m ou 3 x 2 m, correspondentes a 1111 ou 1666 plantas/há.

- O pinhão manso é uma cultura prene podendo durar por mais de 20 anos. As plantas começam a produzir normalmente com 01 ano de idade, estabilizando a produção aos quatro ou cinco anos de idade.

Outras fontes

- O Pinhão manso possui resistência natural a pragas e doenças.

- O pinhão manso desenvolve-se bem em qualquer tipo de solo, inclusive os mais degradados.

- Para plantações com finalidade de produção de óleo, as plantas propagadas por sementes são melhores e suportam calor severo.

- O pinhão manso desenvolve-se melhor em solos bem drenados arenosos, pode suportar solos muito pobres. Alguns autores sugerem o uso de adubação orgânica a fim de obter rendimento mais elevado.

- O pinhão manso pode suportar a seca por até dois anos e voltar a crescer quando as chuvas ocorrerem novamente. O limite inferior é um índice de 500 a 800 mm, abaixo disto a producão dependerá do lençol freático. O ideal para boas colheitas é um índice pluviométrico de aproximadamente 1300 mm, para irrigação o ideal é de 1500 mm.

- É recomendado a remoção das ervas daninhas 4 vezes ao ano e podas para melhor produção.

- Embora o pinhão manso, seja adaptado aos locais de baixa fertilidade e a solos alcalinos os melhores rendimentos podem ser obtidos com fertilizantes que contenham quantidades pequenas de cálcio, magnésio e de enxofre. Deve-se aplicar adubação orgânica e NPK.

- Poda-as plantas necessitam produzir galhos laterais, para o máximo de galhos e consequentemente flores. Entre 90 e 120 dias após levar a muda ao campo,cortar aproximadamente 25 cm de cima para baixo da brotação guia, com esta poda a planta colocará entre 8 a 12 brotações laterais. Esta considera-se uma boa prática, que facilitará a colheita. Sugere-se manter a árvore com aproximadamente 2 m para facilitar a colheita.

- O rendimento do pinhão manso será em função da água, dos nutrientes, do calor e da idade da planta. A produção de sêmentes varia de aproximadamente de 2 toneladas por hectare por ano a 12.5 t/há/ano, após 5 anos.

- As sementes são oleosas e não podem ser armazenadas por muito tempo. Após a colheita os frutos deverão ser transportados para um local seco e aberto, são secados neste local até que todos os frutos abram. O sol direto têm um efeito negativo na viabilidade das sementes. As sementes devem ser secadas com um índice de umidade de 5 a 7 % e armazenadas em recipientes herméticos , em temperaturas de 4 graus centígrados. As sementes permanecerão com viabilidade elevada por até 01 ano.

- O pinhão manso não sobrevive em locais de densa vegetação, com a qual dificilmente consegue competir.

 

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